2,7 milhões de cuidados de saúde não foram prestados devido às taxas moderadoras

Os portugueses têm uma perceção errada dos custos das taxas moderadoras na saúde e estimam valores acima dos reais, mas consideram que apesar de tudo são adequados, indica estudo.

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Foi realizado um estudo pela Universidade Nova de Lisboa, divulgado hoje pelo Diário de Notícias. Este baseou-se na realização de 500 entrevistas, em fevereiro de 2016, cujos resultados foram “extrapolados para o universo segundo uma pós-estratificação que tem por base as variáveis género e classe etária”.

 

O impacto das taxas moderadoras nos cuidados de saúde

Num panorama geral, cerca de 2,7 milhões de cuidados de saúde não foram prestados devido às taxas moderadoras.

Quanto aos efeitos dos custos reais dos cuidados de saúde no bolso dos portugueses, o estudo diz que 10,7% deixaram de ir às urgências por falta de dinheiro, que 3,9% não fizeram exames de diagnóstico, que 3,4% perderam uma consulta externa/especialidade num hospital público e que 2,4% não foram a uma consulta com o médico de clínica geral ou médico de família num centro de saúde.

Nas farmácias, os preços também afectam os portugueses. 12% dos inquiridos admitiu ter deixado de comprar um medicamento em 2016 devido ao seu custo. Um valor que diminuiu entre 2015 e 2016: de 16 para 12%.

A investigação indica ainda que 86% das pessoas tomou pelo menos um medicamento prescrito pelo médico. De entre estes pacientes, 65% tomavam-no devido a uma doença crónica.

 

Percepção dos valores das taxas errada

"No caso das urgências a perceção está mais alinhada com a realidade, assim como nos cuidados primários. Onde se verifica maior diferença é nas taxas nas consultas externas dos hospitais", explicou Pedro Simões Coelho, investigador da Nova IMS.

Pelo que o estudo avaliou, os portugueses julgam que uma consulta externa/especialidade num hospital público custa 11,92€, muito acima do seu valor real (7,00€).

Já nos episódios de urgência, o valor que os portugueses julgam (16,88 euros) que custa a taxa moderadora também é maior do que o real no caso da urgência básica (14,00 euros) e polivalente (16,00 euros). O valor estimado apenas é inferior ao custo real no caso das urgências médico-cirúrgicas (18,00 euros).

 

Taxas são consideradas adequadas pelos inquiridos

Pedro Simões Coelho adiciona porém que "quase 40% dos utilizadores consideram o valor das taxas moderadoras como adequados ou muito adequados e praticamente 50% dos utilizadores consideram que o preço dos medicamentos e a comparticipação do Estado é adequado ou muito adequado".

De acordo com o estudo, mais de metade dos inquiridos (50,1%) considera adequados ou muito adequados os valores pagos pelos medicamentos que lhes foram prescritos nos últimos 12 meses, pouco mais do que aqueles que consideram adequada a comparticipação do Estado para a medicação prescrita (49,1%).

 

Potencial de cuidados de saúde perdidos está "em queda muito acentuada"

Pedro Simões Coelho afirma que estimaram que cerca de 11% dos episódios urgência não se realizaram por esta razão [falta de dinheiro], mas eram quase 14,5%. Nas consultas externas são 3%, mas eram 8%.(...) Ainda é elevado, estimamos por exemplo que 12% não compraram medicamentos por causa do preço, mas em 2014 eram 16%. A tendência é para uma evolução positiva", considerou.

"43% [dos inquiridos] classifica o seu estado de saúde como menos do que bom. É uma percentagem um pouco inferior à do ano anterior, mas não deixa de ser impressionante. Essa percentagem traduz-se num índice médio de 73 pontos", explicou.

“Esta evolução positiva resulta de várias coisas em simultâneo: da redução efetiva nas taxas moderadoras, de um alargamento de segmentos de população isenta de taxas moderadora e a verdade é que, para certos segmentos da população utilizadores do SNS, observámos um aumento de rendimento disponível", afirmou o investigador.

Estas conclusões permitiram medir o impacto económico, devido ao absentismo. Se em 2016 as pessoas faltaram cinco dias ao trabalho em média, devido à sua saúde ou à de familiares, "sem o efeito do SNS, o número médio de dias faltado seria de 6,6", conclui Simões Coelho.

 

Fonte: Sábado

TVI24


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