Farmácias Portuguesas utilizam dados dos utentes para fins comerciais

O novo programa cria perfil de compras dos clientes que usam o cartão Saúda e direciona-lhes publicidade específica quando vão à farmácia. Mas, a Comissão Nacional de Proteção de Dados diz que não foi pedida qualquer autorização.

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Profiler, assim se chama o novo programa existente nas farmácias ligadas à ANF (Associação Nacional de Farmácias), cria perfil de compras dos clientes que usam o cartão Saúda e direciona-lhes publicidade específica quando vão à farmácia. Mas, a Comissão Nacional de Proteção de Dados diz que não foi pedida qualquer autorização.

A Glintt, empresa de tecnologia do grupo ANF criou um programa, o Profiler, que permite às farmácias identificar o utente antes mesmo deste ser atendido. Através de uma base de dados direciona, nos ecrãs digitais existentes na farmácia, publicidade de produtos e sugestões de compras, consoante o perfil do consumidor.

Esta nova plataforma está em testes há 5 meses em cerca de 30 farmácias, mas, segundo a Comissão Nacional de Proteção de Dados, no decorrer de uma investigação do Correio da Manhã, não está autorizada para o fazer, pois não pode ter acesso ao perfil de cada cliente.

 
Quais as novidades neste cartão que são diferentes do antigo?

O cartão Saúda, antigo cartão das Farmácias Portuguesas criado em 2008, é um cartão de fidelização que dá pontos sempre que o cliente o acione e faça compras de produtos de dermocosmética, medicamentos sem receita médica ou serviços, que podem ser trocados por produtos na farmácia ou vales.

As farmácias em questão defendem-se dizendo que os dados são tratados pelo Saúda e que o utente é que decide se quer acionar o serviço ou não, podendo para isso tirar uma senha manualmente e assim já não ser identificado. Mas, os clientes são aliciados com algumas vantagens. Quem decidir utilizar o cartão, não só tem descontos como ainda pode aceder gratuitamente à Internet enquanto aguarda pela sua vez.

Quanto à ANF, diz que o Profiler é apenas um gestor de filas de espera, e que não necessita de autorização pois está ligado ao Saúda que já está devidamente autorizado pela Comissão Nacional de Proteção de Dados. Para além disso diz, que o utente é quem decide se quer identificar-se ou não.

Apesar desta questão ser levantada agora com o Profiler, a verdade é que as farmácias já utilizavam o histórico do consumidor do Cartão Farmácias para o mesmo fim.


Fonte: Pplware


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