Pagar por débito direto: sim ou não?

É mais prático para os consumidores, mas como todos os sistemas tem os seus prós e contras. Empresas que nos fornecem os serviços são parte interessada, tal como os próprios bancos.

Informações
Esta notícia foi lida 4317 vezes
Partilhe

Mais prático, eventualmente mais barato, mas não dá milhões. O débito direto significa pagar na mesma, mas é mais simples, sobretudo porque os consumidores não precisam de se lembrar – o que garante que nunca se esquecem – de pagar as contas. A julgar por janeiro, mês de recordes nos débitos diretos, os portugueses são fãs. Senãos? Também há. Um deles é que é mais fácil perder o controlo daquilo que nos sai da conta.

Os fornecedores de água, luz, gás, eletricidade e telecomunicações até dão, em muitos casos, condições mais vantajosas a quem opte pelo débito direto, tal como os ginásios, por exemplo. Sim, mesmo que nem ponha os pés no ginásio, a sua conta fica automaticamente mais leve.

Bancos são parte interessada

Os próprios bancos ganham com isso e não estamos a falar só da prestação da casa feita por débito direto. “Para se conseguir acesso a condições preferenciais em determinados produtos bancários, os bancos incentivam um maior envolvimento comercial do cliente, como a domiciliação do ordenado e dos pagamentos por débito direto. Com isso, fidelizam o cliente”, nota o mesmo jurista.

Não há almoços grátis, mas pelo menos ambas as partes ganham: “Os consumidores, tendencialmente, gostam de comodidade. O facto de terem lá os pagamentos domiciliados é um fator que os leva a pensar duas vezes sobre mudar de instituição bancária”.

Já tinha pensado nisso? Ter de dar um novo NIB para cada um dos serviços que tem contratualizado com débito direto? Uma canseira.

Prós e contras para os consumidores

Claro que os consumidores saem beneficiados com isto – ganham tempo, acima de tudo -, porque não têm de se preocupar com os pagamentos das faturas, que são automáticos. Só que isso não deve significar perderem o controlo daquilo que estão a pagar. Até porque as consequências são uma dor de cabeça.

Pode levar, muitas vezes, quando não há um controlo tão preciso a que o saldo na conta a ordem não seja suficiente. E, com isso, à rejeição do pagamento por parte da entidade bancária, ao corte de serviço ou a juros de mora e outro tipo de despesas. Se, por exemplo, a conta fica a negativo, há lugar a comissões bancárias”.

Não há nada como ter uma noção dos seus consumos mensais, para ter sempre dinheiro que chegue na conta e fazer da verificação de faturas uma regra. Nunca lhe aconteceu ter uma fatura bem mais elevada do que seria suposto? Facilitar o seu dia-a-dia com os débitos diretos não deve ser sinónimo de facilitar que os erros passe pelos pingos da chuva.

Quando se trata de um problema de faturação, a associação de defesa do consumidor diz que, geralmente, contactando a empresa que nos fornece o serviço, o problema resolve-se, embora possa ser algo demorado. Já quando, em causa, está um débito indevido ou não autorizado, aí pode-se reclamar junto da instituição bancária.

Sim ou não, débito direto? A Deco realça que “é um produto que cria simplicidade na gestão do dia-a-dia", ao mesmo tempo que vinca a recomendação de conferir os débitos e verificar sempre as faturas. "Há formas de contestar, quando há pagamentos processados de forma indevida. Aderir ao produto, sim, mas não que isso seja um fator de menor controlo”.

Os débitos diretos são, sem dúvida, mais práticos e esse talvez seja o seu ponto mais forte. Por outro lado, estamos a assumir um maior compromisso que pode prejudicar-nos. No meio disto tudo, hoje em dia a Internet vem dar uma ajuda preciosa para melhor gerirmos as contas e estes processos. É tirar partido disso.

 

Fonte: TVI24


Comentários