SEF

Serviço de Estrangeiros e Fronteiras

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Categoria
Polícia, Emergência e Bombeiros

Telefone: 214 236 200

Morada
Avenida António Augusto de Aguiar, 20
1069-119 LISBOA

E-mail
dir.norte@sef.pt

Website
http://www.sef.pt

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SEF - Um serviço vergonhoso, ineficiente!!!

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Sabem aquela lenga-lenga de que "estes estrangeiros que vêm para o nosso país e não trabalham, não pagam impostos, não fazem isto e aquilo, e se aproveitam do nosso país"? Pois bem, isto seria de facto verdadeiro e revoltante, se vivêssemos num país eficiente e civilizado. Uma vez que se trata de Portugal e do seu governo ineficiente com procedimentos ineficientes e burocracias ineficientes e intermediários ineficientes, posso dizer em primeira mão que se eu fosse estrangeira, chegasse a Portugal e encontrasse uma organização como o SEF, eu também ficava logo infeliz.

Tudo começa quando eu decido fazer algo bastante simples - telefonar à SEF para fazer uma marcação para o meu marido, que é estrangeiro, isto para ele poder passar a viver e trabalhar legalmente com a sua família num país no qual adora viver, Portugal. Telefono uma vez. Duas. Três. Dez. Ninguém atende o telefone. Vou directamente ao website verificar se posso fazer marcação online, em pessoa, por fax, por email, por telepatia, whatever. Nada, é obrigatório ser por telefone. E então ligo outra vez. E outra vez. Ao longo de duas semanas, todos os dias, incontáveis vezes de manhã e à tarde, eu telefonei e ninguém me atendia. Durante 15 dias, fiquei sempre 20 minutos em lista de espera ao telefone ao mesmo tempo que ia fazendo outras tarefas, e nada. Pensem no que é fazer 8 chamadas numa manhã e ficar 20 minutos em espera, é no mínimo desesperante. Decido enviar um email tanto para a administração como para a DIRECÇÃO do SEF com o título "Ninguém me atende o telefone há duas semanas" no dia 14 de Julho. Ninguém me respondeu até hoje.

FASE 1: A RECEPÇÃO RUDE
Farta de ouvir a ridícula música de espera a que me submetem e de tentar contactá-los de todas as maneiras possíveis e imaginárias, pego no meu marido e vou ao SEF em pessoa. Infelizmente, porque sou portuguesa e estou habituada à pequenez e má educação no atendimento de qualquer serviço de Estado, abordo já esta situação com um espírito frio e de quem vai de certeza ter que causar problemas para obter o que quer. Somos recebidos por uma senhora que nem bom dia nem boa tarde diz, começa logo com um tom extremamente rude:
- "Já tem marcação?"
- (depois de um breve silêncio para processar o tom mal educado com que fomos recebidos) ...."Não".
- "Então é ir para casa e telefonar".
- "Eu já telefonei, demasiadas vezes até, sem resposta."
- "Pois mas é para insistir".
- "Eu insisti 2 semanas todos os dias".
Aí uma menina africana ao meu lado começa a concordar com o que eu digo, junta-se ao protesto e diz que está na mesma situação. Quer marcar, não consegue, está farta de esperar e o seu visto de turista está prestes a terminar, e esteve cá este tempo todo sem conseguir trabalhar. Quando começamos as duas a levantar a voz, a senhora muito aborrecida e farta da depressão que é a sua própria vida manda-nos para o balcão 1 para "falar com a coordenadora".

FASE 2: QUANDO COMEÇO A NÃO ACREDITAR NO QUE VEJO E OUÇO
Enquanto o meu marido está absolutamente à toa, eu e a menina africana vamos juntas ao balcão 1, e ainda temos uma família africana à nossa frente a tratar dos seus processos, com um bebé ao colo. Qual não é o meu espanto quando a senhora que está a atender a família (outra, não a mal educada que relatei na fase 1) começa a gritar "Bem, mas vamos lá ver, não me diga que vocês são todos da mesma família???" apontando para nós todos. Como quem diz, "só me faltava agora levar com esta gente toda". E se fossemos? E se, de facto, fossemos todos da mesma família? Ela tinha algo a ver com isso? Ela só tinha era que nos atender e ponto, é para isso que ela está a ser paga. Mas não, este comentário vinha totalmente a propósito, porque ela é portuguesa e está habituada ao filho único com pais velhos, portanto continuamos. Eu olho para ela e a elevar o tom de voz digo "Não, minha senhora, estamos aqui para ver a SUA coordenadora". As outras senhoras todas, aos seus computadores e com o dedalzinho de borracha, começam logo a ficar alerta. Oi? Alguém quer falar com a coordenadora???? Isto é uma alteração de rotina! Ai meu deus!
Ficamos então à espera da coordenadora, e aproveito esta oportunidade para olhar à minha volta e observar. O cenário é de loucos, absolutamente. Vejo a mulher rude nº2 a espetar um papel à frente de um imigrante africano e a gritar "Oh homem, pelo amor de deus, ASSINE LÁ ISTO, PÁ!". Pausa. Ela está a falar com um ser humano ou com um animal? Deixo passar, porque é só uma senhora mal educada, coitada. Era ela e a da entrada. E depois acontece algo que me deixa absolutamente chocada e de boca aberta - vejo, em simultâneo, três ou quatro mulheres ao atendimento que se levantam e mandam calar o estabelecimento todo com um "SHHHHH!!!!!!!!!!!!!". Vamos fazer aqui uma pausa e recolocar-nos em contexto: estamos numa organização dedicada a ajudar estrangeiros que nada sabem sobre a nossa burocracia e pouco devem saber sobre as nossas leis; estão provavelmente desempregados e desesperados por começar a viver confortavelmente; têm bebés ao colo; têm pais velhotes que trazem consigo; têm crianças que não podem deixar em casa; alguns estão solitários e aproveitam o contexto e a lista de espera para fazer amizades, já que outros se sentam ao seu lado por horas; e estas mulheres, que pouco merecem esse nome, acham-se no direito de MANDAR CALAR os clientes que são pagas para servir? E ainda por cima em vez de o colocarem em palavras, como "poderiam só falar um pouco mais baixo, por favor?", é logo com um "SHHHH" como se de bebés ou animais se tratassem. Lamento, mas isto não aceito. Estas mulheres não estão acima de nós, não nos são nada, não são nossas mães, nossas primas, nossas chefes, nossas professoras (deuses nos livrem), nossas presidentes, e muito menos me calam dessa forma. Juro que fiquei tão chocada que passei os próximos minutos de boca aberta sem falar.

FASE 3: LIVRO DE RECLAMAÇÕES
Chega então a coordenadora. Sem qualquer explicação ou alteração no tom de voz, uma vez que já estou tão raivosa e fogosa no meu interior e a forçar-me a manter-me calma, digo-lhe que "só quero o livro de reclamações". Segue-se então uma agradável conversa de 20 minutos, durante a qual ela me tenta convencer indirectamente a não escrever nada no livro. Justifica que neste momento o SEF tem poucos trabalhadores e é natural que não consigam atender o telefone de imediato - aceito. Justifica que temos mesmo que insistir, porque não há outra forma, apenas nos poderíamos dirigir a outra organização mas eles iriam telefonar para o mesmo número, portanto era pointless - aceito. Começo então a relatar-lhe as faltas de respeito que vivi e vi outros experienciar desde que entrei pela porta adentro, e até isso ela justificou. "Já reparou na acústica deste lugar?", disse ela para justificar as outras que nos mandaram calar. "Ai agora que reparo, peço imensa desculpa, não tinha reparado que estava num santuário"; respondi. E disse-lhe exactamente o que aqui escrevi: estas mulheres estão a ser PAGAS para fazer um trabalho bastante simples, ajudar a legalizar estrangeiros e mostrar um mínimo de respeito pelo ser humano que estão a atender. Simples. Disse-lhe que eu própria sou recepcionista de hotel, faço trabalho de backoffice com música altíssima ao mesmo tempo, clientes a conversar no restaurante à frente do meu balcão, atendo clientes ao mesmo tempo e nunca senti a necessidade de gritar "SHHHH!!!!". Depois perguntei-lhe "Gostaria que fizessem o mesmo consigo se tivesse acabado de chegar a um país novo para trabalhar e viver?". "Não," responde ela, "mas eu também tenho noção de como me comportar quando vou a determinados sítios". Ah sim, claro, os estrangeiros mal educados, que nada sabem sobre a etiqueta de filas de espera nos serviços de Estado. Esses malandros!!! Ainda por cima com senhoras tão atenciosas e educadas a atender, não percebo mesmo esta falta de consideração :) :) :) ....escusado será dizer, escrevi mesmo no livro de reclamações.

ÚLTIMA FASE: TELEFONEMA COM SUCESSO E MAIS UMA DOSE DE MÁ EDUCAÇÃO.
Seguem-se mais dezenas de telefonemas nos próximos dias, e finalmente, depois de mais 20 minutos de espera, atende uma senhora que claramente não é portuguesa ela mesma, mas que pensa ser superior aos estrangeiros que cá chegam, pelo tom e vocabulário com que escolhe dirigir-se a mim. Depois de me atender com um maravilhoso "Mas o que é que quer, afinal?", lá prosseguiu a conversa toda de partilha de dados e marcação da maldita ida ao SEF. Quando lhe pergunto a documentação necessária para o dia, isto para evitar mais 200 telefonemas e listas de espera, muito aborrecida ela dá-me a lista, e quando não percebo um dos tópicos, ela repete muito zangada "minha senhora, eu não disse TAL, eu disse TAL e TAL!!!". Ok, entendido, minha querida.

OBSERVAÇÃO FINAL
O meu marido tem marcação no SEF para FEVEREIRO DE DOIS MIL E DEZASSETE (2017!!!!) e o mais provável é que, mesmo com um papelinho a dizer que já tem marcação feita, tenha que ficar desempregado até lá, porque no fundo ainda não tem uma permissão de residência e trabalho permanentes. Espero estar errada, isso deixar-me-ia felicíssima, mas se não estiver, pensem duas vezes antes de insultar o estrangeiro que não trabalha nem paga impostos nem faz um pirete da vida, porque no fundo organizações como o SEF se põem pelo meio e as burocracias impossíveis deste país atrasam a vida de toda a gente.

27 Ago2020
A reclamação foi considerada "Sem Resolução" por falta de actividade
Esta reclamação foi considerada sem resolução

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