Ginásios: reclamações aumentam 81%

O Portal da Queixa registou um aumento, na ordem dos 81%, do número de reclamações dirigidas a ginásios, comparativamente ao período homólogo.

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As reclamações contra ginásios já não são uma novidade, no entanto, os dados atestam que estas têm aumentado ano após ano.

De janeiro de 2018 até o final de agosto, chegaram ao Portal da Queixa cerca de 150 reclamações dirigidas a diversas marcas de ginásios. Mau atendimento ou serviço e débitos/cobranças indevidas são os principais motivos das queixas.

Cerca de 63% dos casos são relativos, não só, a problemas com débitos e rescisões, mas também, a utilizadores que se sentem enganados ou injustiçados por más práticas comerciais.

Fitness Hut, Solinca Health Clubs e Holmes Place são as marcas que apresentam o maior número de reclamações.

Reclamações de janeiro a final de agosto

Motivos

2017

2018

%variação

Mau atendimento/serviço

28

55

96%

Débitos/cobranças indevidas

24

41

71%

Rescisão/Cancelamento

22

32

45%

Publicidade enganosa / más práticas comerciais

9

22

144%

 

Porque reclamam os consumidores portugueses?

Relacionadas com o mau atendimento/serviço, chegaram ao Portal da Queixa mais de 50 reclamações. Maria Silva, registou a sua reclamação no Portal da Queixa, por considerar que a funcionária do ginásio onde pretendia fazer a inscrição, lhe prestou um mau atendimento, como é possível verificar na seguinte reclamação:

 

Dia 24/7 fui atendida pela Dª Vera Fernandes, do Fitness Hut de Almada, que centrou a seu atendimento em inscrever mais um cliente, do que lhe dar informação dos serviços disponíveis para que fosse estabelecido um contrato com alguma transparência.

Questionada sobre os serviços disponíveis, responde na generalidade sem dar acesso ao detalhe dos mesmos, nomeadamente horário de aulas em grupo. Reporta repetidamente para site, dizendo que tem toda a informação disponível no site, depois de se inscrever. Consenti à inscrição.

Outro ponto, exigiu IBAN para débito bancário, quando, depois de eu ter acesso aos termos do contrato, ler que este modo de pagamento não é o único, nem obrigatório.

Conforme acordado, no mesmo dia recebi contacto (via sms) para marcação de uma avaliação. Esta foi agendada para 26/7. Neste dia, não me foi permitido estacionar no local de estacionamento recomendado pelo ginásio, onde um segurança me recomenda estacionar no parque da decathlon (!!!???). Avaliação não feita. Adiei para 31/7 e acabei por não comparecer porque EM 28/7 cancelei a inscrição no site da entidade com carácter da maior brevidade possível (opção disponível no site).

A autorização de débito não esteve disponível até ao dia 27/7, para que a pudesse cancelar, dia em que me foi debitado o valor de 20,98€. Deste valor nunca recebi o documento fiscal do mesmo (ilegal cobrar sem passar este documento) nem a devolução do valor, por ter quebrado atempadamente o contracto e nunca ter metido um pé no ginásio.

Não houve transparência nos serviços disponíveis e depois de ter a informação dos mesmos, estes não me interessam, pois apenas me permite ter aulas virtuais, dentro da minha disponibilidade. É desonesto e sem transparência tentar angariar clientes sem estes saberem de antemão que serviços podem desfrutar.(…)”  - 5 de agosto 2018

 

Ainda no âmbito das falhas no atendimento ou serviço, uma consumidora descreve na reclamação que viu-se confrontada com uma situação onde afirma ter existido “falta de respeito e consideração por um sócio”, por sua vez,  outra consumidora afirma ter contratado um PT, mas refere que este não cumpriu a sua função durante um mês e meio.

 

Problemas com débitos e cobranças indevidas são reincidentes. Em relação ao ano passado, o Portal da Queixa registou um aumento de 71% do número de queixas invocando este motivo. Inês Vale de Gato é uma das consumidoras que teve problemas relacionados com o método de pagamento como explica na seguinte mensagem:

 

Em Abril de 2018 rescindi o meu contrato com PUMP SA Alvalade, tendo por questões contratuais apenas que avisar da rescisão com 30 dias de antecedência.
Acontece, que nos meses seguintes, Maio e Junho, continuaram a fazer-me os débitos directos em conta das mensalidades sem qualquer justificação. Mesmo eu tendo cancelado o débito directo na minha conta de forma a prevenir tal situação, criaram novas entidades para que conseguissem fazer os débitos directos.
Quando telefonei para PUMP Alvalade no início de Junho 2018 a expôr esta situação, foi-me feito um pedido de desculpas e foi-me dito que tinha ocorrido uma falha no sistema e que as duas mensalidades debitadas indevidamente seriam então devolvidas na conta. No entanto, iria demorar cerca de um mês devido ao departament financeiro ter um periodo para fazer estes pagamentos.

Entretanto, findo o mês que passou, voltei a contactar PUMP Alvalade a meio de Julho 2018, para avaliar a situação e indicar que ainda não me tinha sido feita a devolução.
(…)
Hoje, dia 29Agosto 2018 continuo a aguardar pela devolução do montante na minha conta, pelo contacto telefónico do departamento financeiro e pelo comprovativo de pagamento por email, tal como solicitei e me disseram "com certeza iremos já enviar”
(…)
Após várias revisões do meu extrato de conta dos vários meses, continuo sem receber a devolução dos montantes indevidamente debitados, e nem um contacto da parte to PUMP.
” – 29 de agosto 2018

 

Também Helena Amaro Eleuterio deixou a sua indignação relativa a uma rescisão de contrato mal efetuada ao Portal da Queixa:

 

Fizemos a inscrição no Ginásio Kalorias do Évora Plaza no mês de Novembro, dos quatro elementos do agregado familiar, no balcão que se encontrava no centro comercial antes de o mesmo ter iniciado atividade (só abriu em Fevereiro). Pagamos lo ali o seguro referente aos quatro elementos da família.

Não nos recordamos de termos sido informados, por nenhum dos assistentes, que tínhamos fidelização de 1 ano. Só quando tentei anular as inscrições, em Abril, é que soube da fidelização, e foi-me dito que tinha de pagar um valor elevado para o poder fazer. foi nesta altura que pedi a minha cópia do contrato que assinei e que até então não tinha nada, foi-me dada uma fotocópia do que tinha assinado

Desde que o ginásio iniciou a atividade só o frequentámos uma única vez. Estamos também a pagar água vitaminada de 2.21€ sem usufruir da mesma sequer (e informaram por email que seria 1.99€).

Além disto desde o mês de Junho que nem os recibos recebemos.” – 14 de agosto 2018

 

As reclamações às marcas

Em comparação com o período homólogo, as marcas Fitness Hut e Solinca Health Clubs são as que apresentam um maior número de reclamações. Cerca de 48% das queixas foram respondidas, contudo, são poucas as que têm resolução, como é possível confirmar nas páginas das marcas no Portal da Queixa: Fitness Hut e Solinca.

 

Reclamações de janeiro a final de agosto

Marcas

2017

2018

%variação

Fitness Hut

31

64

106%

Solinca Health Clubs

14

25

79%

Holmes Place

12

17

42%

Pump Fitness Spirit

2

9

350%

Kalorias

4

6

50%

GO fit

4

5

25%

 

Dicas Portal da Queixa para evitar situações desagradáveis com ginásios:
 

1 – Fidelizações

Antes de assinar qualquer contrato, leia-o muito bem. Deve esclarecer todas as dúvidas que possam surgir, junto da entidade. Se estiver perante uma cláusula que imponha a duração do contrato, esta não é ilegal ou inválida, desde que atribua ao consumidor uma vantagem económica como contrapartida.

 

2 – Débitos Diretos

Este é um tipo de pagamento muito comum nos ginásios, no entanto deverá sempre existir uma alternativa, que poderá ser por transferência bancária, referência de pagamento por multibanco ou por entrega em dinheiro. Poderá sempre utilizar como argumento as diretrizes do Banco de Portugal: o consumidor tem sempre liberdade de aceitar ou recusar o pagamento de débito direto.

No fim, cabe ao consumidor a decisão de aceitar ou não o débito direto, tendo em conta que até pode compensar. É sempre recomendado verificar o extrato da conta todos os meses.

 

3 – Rescisões de Contrato

Se não existir vínculo contratual, será mais fácil rescindir. Basta uma comunicação por carta registada ou entregue no próprio ginásio, ficando sempre com um comprovativo.

Se existir uma fidelização, tem de apresentar uma razão objetiva (não apenas referir situações de doença ou desemprego). Tem de invocar um motivo válido, caso contrário, pode ter uma penalização por parte do ginásio.

 


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