O seu cartão de crédito pode ser vendido na Dark Web | Portal da Queixa

Recentemente, três mil cartões de crédito pertencentes a portugueses foram encontrados à venda na Dark Web. Aprende a proteger o teu.

cartões de crédito à venda na dark web

A pergunta é: e se o teu cartão de crédito estivesse à venda na Dark Web? Parece irreal, mas a verdade é que a NordVPN divulgou recentemente uma análise feita a quatro milhões de cartões bancários que se encontravam à venda na Dark Web, na qual foram identificados 3281 de origem portuguesa. À venda por cerca de 10,80€, dos cartões lusos encontrados destacaram-se os cartões Visa (1002), seguidos dos Mastercard (367) e Maestro (9). 

Com este estudo, a empresa procurou informar e sensibilizar a população para um problema cada vez mais presente no dia-a-dia dos consumidores: o roubo de identidade e dados pessoais, a clonagem de cartões e a venda posterior dos mesmos. São situações que ninguém quer viver, mas que têm acontecido frequentemente.

Só em 2021, o Portal da Queixa registou cerca de 1563 reclamações sobre cartões de crédito, um aumento significativo quando comparado com o período homólogo (em 2020, foram registadas 720 reclamações). Esta foi uma tendência agravada com a pandemia, mas que se mantém até hoje. Tal como identifica a NordVPN, “Hacks a cartões bancários é algo cada vez mais recorrente e que afeta de forma muito significativa a vida das pessoas”.  

49% das reclamações no Portal da Queixa são sobre cartões de crédito são sobre fraudes

Do total de reclamações recebidas relativamente a cartões de crédito, 49% são referentes a fraudes, burlas, phishing, enganos, roubos ou incidências com pagamentos. A tendência mantém-se e continua a ser motivo de queixas por parte dos consumidores. Fui vítima de burla com as minhas credenciais pessoais de acesso à área de cliente da wizink tendo sido efectuados movimentos na minha conta que não foram efectuados por mim(quero frizar que não uso esse cartão há mais de 2 anos).”, refere Manuela Cristina.

É um facto que este tipo de fraudes não são novidade, mas continuam a ser uma constante – os alertas dados por empresas, marcas, bancos ou entidades reguladoras e o reforço da necessidade de uma maior literacia digital nos consumidores não bastam para combater o cibercrime.

Em julho de 2021, vários meios de comunicação noticiaram o desvio de milhares de euro de cartões para criptomoedas. Os lesados foram alvo de phishing e, em poucos minutos ficaram com o saldo a 0 – saldo esse compreendido entre cinco a 10 mil euros – que foi transferido para corretoras de criptomoedas.

Aqui inclui-se também o “Grupo de Lesados Wizink”, que gerou várias reclamações no Portal da Queixa. Só entre abril e maio de 2021, estima-se que 25 pessoas tenham perdido cerca de 130 mil euros em cartões de crédito WiZink.

É possível evitar ter um cartão na Dark Web? Difícil, mas há formas de o proteger

Segundo a NordVPN é impossível proteger um cartão de crédito a 100% de ataques cibernéticos. A empresa explica que estes quatro milhões de cartões bancários à venda na Dark Web foram pescados por hackers “à força bruta”.

Funciona um bocado como uma adivinha. “Pense num computador que tenta adivinhar a nossa password. Primeiro vai tentar a combinação 000000, depois 000001, depois 000002 e assim sucessivamente. Como se trata de um computador, o mesmo pode fazer milhares de hipóteses por segundo”, aponta a empresa, lembrando que o cartão bancário tem 16 dígitos: os primeiros 1 ou 2 dígitos representam a entidade bancária (ex: 4 Visa); os seguintes 13 ou 14 são referentes ao país e ao usuário do cartão; o último número é um número de prova dos anteriores 15 (algoritmo) e o código CVV é composto por 3 dígitos, que também pode ser adivinhado facilmente.

Perante este cenário, resta ao consumidor estar atento e ir verificando com regularidade o extrato mensal. Mensagens reais enviadas pelo banco também não são de ignorar e outra recomendação é ter diferentes contas bancárias com pequenas quantidades de dinheiro, às quais possas associar os teus cartões de crédito.

Sem esquecer a password, que quanto mais complexa for, mas segura é. Aqui damos mais conselhos sobre como evitar ser alvo de phishing, que podem ser úteis quando o assunto é segurança digital. Além disso, a Autenticação Multifator (MFA) – feita através de um dispositivo, código de texto, impressão digital ou outra medida – é mais uma forma de proteção a adquirir.

Não há como negar: a aposta na partilha de informação, o reforço da literacia digital e a atenção constante têm que fazer parte da vida do consumidor atual, sim ou sim.


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